Governo Trump pede à Justiça que mantenha sob sigilo o mandado de busca na casa da deputada Ilhan Omar
Procuradoria em Washington diz que divulgar o documento comprometeria a investigação sobre imigração; para Fox Business, o caso ganha peso político a dias da eleição.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE FOX BUSINESS · 3 MIN
A Procuradoria dos Estados Unidos em Washington pediu a um juiz federal que negue o pedido de divulgação do mandado de busca na casa da deputada Ilhan Omar. Segundo a repórter Chanley Painter, da Fox Business, o argumento é que tornar o documento público poderia comprometer a investigação sobre imigração que envolve a parlamentar.
De acordo com a reportagem, o Departamento de Justiça (DOJ) afirmou em manifestações à Corte que ainda não decidiu se vai processar a deputada. A investigação segue ativa, há intimações em aberto e, segundo o órgão, o mandado não foi totalmente executado.
Disputa política e pressão por renúncia
O presidente Donald Trump pediu a renúncia de Omar. A reportagem diz que a resposta veio em um e-mail de arrecadação com a frase: "Ilhan não vai a lugar nenhum". Segundo a Fox Business, a deputada arrecadou US$ 847 mil no dia da operação e US$ 665 mil no dia seguinte.
Ainda conforme a reportagem, 200 deputados democratas assinaram carta ao DOJ e ao Departamento de Segurança Interna (DHS) expressando oposição "inequívoca" à operação e pedindo que os órgãos se abstenham de novas ações que possam afetar o resultado de qualquer eleição futura. A deputada, que representa o 5º Distrito de Minnesota, nega as acusações de que ela e sua família tenham cometido fraude de imigração.
Segundo a Fox Business, se a investigação indicar o contrário, a parlamentar poderá enfrentar acusações criminais e a perda da cidadania (desnaturalização). Não há acusação formal até aqui.
O que dizem os analistas
A decisão sobre a abertura do mandado está nas mãos do juiz distrital James Boasberg, nomeado pelo ex-presidente Barack Obama, que já decidiu contra o governo Trump em diversos casos, inclusive o das deportações de supostos membros de gangues, lembrou a reportagem.
Na avaliação da apresentadora Shannon Bream, do programa "Fox News Sunday", não está claro nem se o DOJ já sabe se tem provas suficientes para processar a deputada. Ela destacou que o sigilo é um dos argumentos do governo contra a divulgação e que a imprensa quer ter acesso ao documento.
Bream também afirmou que, pelo que apurou com pessoas familiarizadas com o caso, o DOJ quer manter o DHS fora do processo para não ficar vulnerável à acusação de motivação política, e que a investigação deve ser tratada com rigor para evitar vazamentos. Segundo ela, poucas pessoas têm saído em defesa da deputada, apesar da carta assinada pelos democratas.
Para o investidor, o episódio é, por ora, essencialmente político e judicial, sem efeito direto mensurável sobre bolsa, juros ou dólar na transcrição analisada. O desfecho, porém, deve ser acompanhado a dois dias do Dia da Eleição nos Estados Unidos, quando incertezas institucionais costumam entrar no radar do mercado.


